Ucrânia declara emergência, começa a recrutar reservistas e pede que seus cidadãos deixem a Rússia

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Decisão vale por 1 mês e vem em meio a uma escalada de tensões após o governo russo reconhecer a independência das províncias rebeldes do leste.

O parlamento da Ucrânia aprovou nesta quarta-feira (23) um pedido do governo de Volodymir Zelensky para para a criação de um estado de emergência em toda a Ucrânia.

A medida atual não leva em conta as duas províncias separatistas de Luhansk e Donetsk, que já vivem esta situação desde 2014, com o início das disputas territoriais.

O pedido do presidente ucraniano ocorre em meio a uma escalada de tensões após o governo russo reconhecer a independência das províncias rebeldes do leste.

Além disso, os países do ocidente, liderados pelos Estados Unidos alertam para uma possível ofensiva militar em larga escala da Rússia contra a Ucrânia.

O que é estado de emergência?

 

Ao decretar estado de emergência, um país pode – em momentos de catástrofe, ataque ou guerra – tomar decisões de uma forma mais centralizada.

Com a decisão aprovada pelo parlamento, o presidente Zelensky recebe por 30 dias plenos poderes para lidar com a crise na região.

“Países que passam por momentos excepcionais costumam fazer isso”, disse o professor de Relações Internacionais Oliver Stuenkel à Globo News. “Isso habilita o governo de tomar decisões de maneira um pouco mais centralizada, mais rápida.”

O pesquisador disse também que com o decreto de estado de emergência, é possível que as forças armadas possam chegar a ter um papel mais ativo no dia a dia.

Além disso, o governo terá poder de limitar a congregação de pessoas – e isso pode ser encarado como uma espécie de preparação para uma possível invasão Russa.

Convocação de reservistas

 

Ucrânia começou a recrutar reservistas com idades entre 18 e 60 anos, após um decreto presidencial, informaram as Forças Armadas.

Na véspera, Zelensky anunciou a movimentação, mas descartou uma mobilização geral. Não há ainda informações sobre o número de pessoas que atenderam à convocação.

Volodymyr Zelensky, presidente da Ucrânia — Foto: Andreas Gebert/Reuters

Volodymyr Zelensky, presidente da Ucrânia — Foto: Andreas Gebert/Reuters

Segundo as Forças Armadas, ao menos um soldado ucraniano foi morto após bombardeios de separatistas pró-Rússia, no leste do país.

Ucrânia tem quase 200 mil reservistas e 250 mil militares na ativa nas Forças Armadas.

Ucranianos devem deixar a Rússia

 

Nesta quarta-feira, o ministério ucraniano das Relações Exteriores pediu a seus cidadãos que deixem a Rússia rapidamente, porque uma possível invasão poderia reduzir a assistência consular.

“O ministério recomenda aos cidadãos ucranianos que não viajem para a Rússia e aos que já estão na Rússia que saiam imediatamente do território”, afirma um comunicado.

 

Quase três milhões de ucranianos vivem na Rússia, de acordo com cálculos das autoridades de Kiev.

Soldado morto

 

Militares ucranianos relataram em rede social, nesta quarta, que um soldado foi morto e seis ficaram feridos após bombardeios por separatistas pró-Rússia, no leste da Ucrânia, nas últimas 24 horas.

Segundo os militares, os separatistas continua a violar o cessar-fogo.

No Facebook, os militares relataram 96 bombardeios por separatistas, contra 84 no dia anterior. Ainda segundo a publicação, os separatistas usaram artilharia pesada, morteiros e foguetes Grad.

Ucrânia acusou a Rússia de provocar violência, usando isso como pretexto para reconhecer formalmente o leste do país como independente e transferir tropas russas para a região, precipitando uma crise que o Ocidente teme que possa desencadear uma grande guerra.