Exclusiva: Aniversariante do dia, “acadêmico” Tiago Nunes pede presente, fala do 9 e explica “time da moda”

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Técnico do Ceará conversou com equipe do ge

Neste 15 de fevereiro, Tiago Nunes, técnico do Ceará, completa 42 anos. Acredite se quiser, mas foi antes da exclusiva com o ge que o técnico foi lembrado (isso mesmo, lembrado!) pela reportagem que a data se aproximava! Com tanto trabalho, por vezes os profissionais esquecem de detalhes importantes, mas não tão lembrados, pelo visto.

Tiago tem o lado estudioso, o lado sério, tem até o lado que ri. Das palavras ditas que não voltam mais atrás, o técnico tem saudade do garoto estudioso, mas se orgulha daquele que é igual aos demais, mas se esforça para dar o melhor de si. À frente do Ceará, inicia a primeira temporada com a oportunidade de montar o time e ir longe, fazer história, em cinco competições (uma delas internacional).

Em bate-papo descontraído, de pouco mais de vinte minutos, Tiago Nunes recebeu a equipe do ge em Porangabuçu e prometeu não censurar nenhuma resposta. Da declaração sobre o time da moda, pedidos de presente para o aniversário então esquecido, torcida, camisa 9 e futebol nordestino.

Com vocês, torcedores, o “acadêmico” Tiago Nunes.

Abaixo, veja os pontos da entrevista.

 

O que quer de presente de aniversário?
Desejo que eu tenho é que a gente possa ter mais empatia em todos os momentos da vida. Que a gente possa se colocar mais vezes no lugar do próximo. No lado esportivo, que a gente possa ter bons resultados, bom relacionamento, que o nosso torcedor nos abrace, apoie, que a gente vai retribuir com o nosso empenho.

Por que escolheu o Ceará?
Mercado é feito de circunstâncias, de momentos. Meu momento no Athletico foi mágico. Tive grandes oportunidades que me fizeram crescer. Cada trabalho é um aprendizado. Eu disse não ao Fortaleza, mas é circunstância. Eu poderia muito bem ter ido trabalhar no rival, hoje é um grande clube, tem um grande presidente, pessoas competentes, mas foi momento. E a circunstância de o Ceará demonstrar que quer contar comigo, com o trabalho, com o profissional, isso fez com que eu aceitasse. E principalmente o grupo de atletas. Eu enxergo o grupo pronto em vários comportamentos, organizações, eu entendia que se aproximava muito do que eu acredito. Eu sou parecido. Quero conquistar.

Ceará pode sonhar em ser finalista de Sula? Copa do Brasil?
Não dá para fazer promessa alguma, mas em termos de tendência e possibilidades… O fator local faz a diferença. E nesse tipo de competição isso é vantagem. Isso nos faz, sim, sonhar que existe a possibilidade. Longo prazo é mais difícil. Estou com a esperança que a gente possa fazer algo extraordinário, algo grandioso, podemos buscar algo que ninguém fez. O resultado esportivo nos promete imediatismo e nós podemos correr atrás disso.

Sentiu algo parecido com o ano passado?
Quando a gente cria uma sinergia entre torcida, equipe, comissão técnica, é emocionante. E é isso que a gente procura profissionalmente. Financeiro é importante, mas o que eu busco é um lugar que eu possa viver boas emoções, grandes emoções. Isso que fica marcado. O que a gente viveu naqueles jogos foi um combustível muito grande até o final do ano. E dentro disso, tomara que a gente consiga repetir.

Quando o Ceará estará pronto?
Tenho cuidado em não estabelecer tempo nem número de jogos. Esse período de preparação é feito para atletas melhorarem a parte física, entrosamento. No Clássico, corremos risco de não levar muita gente. É momento agora de reestruturação. Espero que encontremos um padrão. Não quero estabelecer prazos. Clássico tem a questão de formação da opinião pública. Até o momento estamos sólidos, firmes, para construir um bom trabalho até o fim do ano.

Qual o Ceará ideal?
Eu vejo um Ceará que se firme como uma das principais equipes do Brasil. O Ceará pelo segundo ano seguido ficou no meio da tabela, mais uma vez teve competição internacional. Mas estruturalmente temos condição de melhora. Temos uma margem de crescimento grande. Melhor estrutura você prepara melhor os atletas. Você cativa os atletas a quererem vir jogar no Ceará, o resultado aparece. E isso se renova a cada temporada.

E o camisa 9?
Eu não quero o melhor jogador, eu quero o melhor time. Eu quero que o nosso time dê liga, que a gente seja coletivamente forte. Eu deixei muito claro que o camisa 9 é o Jael. O Zé Roberto é o 63. Iury é o 99. E o estigma da camisa 9 para mim não é importante. Temos um bom time, somos competitivos.

Falou para alguém que será o homem gol?
Cheguei para o Luiz Otávio, Messias, Richard, Sobral, se todos fizerem gols, vai ser bom aproveitamento ofensivo durante o ano.

Por que time da moda?
A palavra dita não se volta atrás. Estudando historicamente o Ceará, normalmente somos um clube subestimado. Penso que esse clube tem uma força gigantesca. Não preciso fazer média com rival, com torcedor rival. Temos um respeito muito grande. A rivalidade é para o futebol cearense melhorar. O Ceará tem que ser maior de dentro para fora, o torcedor tem que parar de se balizar pelo outro. Não tem nada contra o rival, não é isso. É a gente entender que forte é o Ceará. Nós somos os melhores e nós temos que acreditar. Temos que superar a tudo e a todos. Faz parte do processo de crescimento.

Futebol nordestino
Futebol cearense, nordestino, tem que crescer junto. Existe, sim, um preconceito do futebol do sul, sudeste com o nordestino. Se for permitido, os times do sul não querem vir jogar aqui, quanto menos, melhor pra eles. Isso tem que ser dito. Menos rivalidade entre a gente, e um foco para que as equipes possam ter a rivalidade local, darmos as mãos e crescermos juntos.

Tinha visão do futebol nordestino?
Sou um cidadão do mundo. Já vivi nos quatro cantos do Brasil. Defendo a bandeira do Nordeste. Temos pessoas capazes em todos os lugares. Não temos que cultivar sentimento de rivalidade.

“O Acadêmico”
Esse rapaz estudou muito, viu? Faz tempo que eu não vejo ele. Se graduou, fez pós, licenças, estágios. Eu tenho muito o que melhorar, evoluir, crescer. Esses rótulos não fazem bem para ninguém. Eu me qualifico, estudo. No Brasil, professor não é valorizado. Eu sou um treinador de futebol, mas o professor da escola merece ser mais valorizado. Eu tenho que estar de bem com a vida. E isso acontece aqui no Ceará, tenho prazer de estar onde estou.

Blindagem do elenco
Existem ações que não temos controle sobre. Lucas foi acusado de algo, foi provado judicialmente que houve um acordo, havendo um acordo, tudo estando encerrado, não tenho motivo para me manifestar. Tenho que trabalhar para que ele traga bons exemplos. Não podemos julgar alguém pela vida toda por um erro. Temos que ver os dois lados. A nossa vida hoje não pode ser tão rápida quanto redes sociais.

Algum atleta com história que te surpreendeu?
Eu não vou personificar em um atleta. Eu conheci muitas histórias. Temos atletas que passaram por dificuldades que os torcedores nem imaginam. Nós temos um grupo de bom caráter. Caras que têm histórias bonitas no futebol e na vida. Eu sou um treinador de pessoas, não só de futebol. Eu sou um líder que tenta ser o mais conciliador possível, com uma liderança que seja inspiradora para todos.

E a torcida?
A gente cria relação de respeito, carinho e amor. Estamos no meio desse processo. O torcedor respeita a postura de quem trabalha e quem ganha. Precisamos de uma trajetória maior aqui no clube. Tenho um respeito enorme pela torcida. Independente do técnico, do jogador, nós somos passageiros. O clube fica. O torcedor tem que abraçar não o Tiago, mas o treinador. Não o jogador A ou B, mas o clube.

Fonte: ge