Derrubada de vetos e inflação crescente são os obstáculos do governo

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Governo enfrenta semana com temas que podem desgastá-lo; economia e corrupção são alertas

O governo federal começa a semana sob pressão para obter boas notícias, a fim de tentar ofuscar o espaço que o começo da pré-campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve obter no noticiário. Mas o horizonte é de tempo cinzento: isso porque, no Congresso, há uma mobilização no Congresso para a derrubada dos vetos de duas leis de apelo popular: a Paulo Gustavo e a Aldir Blanc 2, negados integralmente pelo presidente Jair Bolsonaro (PL), que destinam recursos à cultura. Além disso, a equipe econômica aperta os cintos para o impacto negativo de um novo índice inflacionário desfavorável.

Na quarta-feira, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgará o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a inflação oficial do país, referente a abril. A perspectiva é de que a taxa fique em 1,02% no mês e em 12,09% no acumulado de 12 meses.

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), anunciou, na semana passada, uma reunião com o ministro da Economia, Paulo Guedes, e com governadores para debater possível consenso com vistas à redução do preço dos combustíveis. A data do encontro, porém, não está marcada.

Pacheco encaminhou um ofício a Guedes questionando o valor da gasolina. E destacou que o Congresso aprovou, em março, uma lei que estabelecia uma alíquota única do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre os combustíveis.

O deputado federal Nereu Crispim (PSD-RS), presidente da Frente Parlamentar Mista em Defesa dos Caminhoneiros Autônomos e Celetistas, desaprova a condução que o governo vem fazendo do tema. “Na categoria dos caminhoneiros, temos uma luta sem glória. Essa história de que (Jair) Bolsonaro está preocupado é uma mentira deslavada. Ele utiliza esses presidentes de fachada da Petrobras, que estão totalmente comprometidos com a política dele e do Guedes”, critica, classificando as críticas do presidente à estatal como uma “jogo ensaiado”.