Bolsonaro vai a Rondônia nesta quinta-feira para encontro com o presidente do Peru

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Segundo o Itamaraty, reunião com Pedro Castillo vai tratar de comércio, acesso a mercados, integração, fronteira, defesa, segurança e pandemia de Covid.

O presidente Jair Bolsonaro viaja para Porto Velho na manhã desta quinta-feira (3) para um encontro com o presidente do Peru, Pedro Castillo, no Palácio Rio Madeira, sede do governo de Rondônia.

Este é o segundo encontro de Bolsonaro neste ano com líderes da América do Sul. Em janeiro, ele esteve no Suriname, onde se encontrou com o presidente Chandrikapersad Santokhi, e com o presidente da Guiana, Mohamed Irfaan Ali.

Segundo o Ministério das Relações Exteriores, os presidentes brasileiro e peruano tratarão de comércio e acesso a mercados, integração física, cooperação fronteiriça, cooperação em defesa e segurança, cooperação técnica e humanitária e combate à pandemia de Covid.

A fronteira entre Brasil e Peru é a segunda mais extensa do Brasil, com 2.995 km. De acordo com o Itamaraty, o Brasil é o quarto maior parceiro comercial do Peru. O intercâmbio comercial entre os dois países em 2021 alcançou US$ 4,26 bilhões, segundo o ministério.

Na noite de quarta-feira (2), a Secretaria-Geral da Presidência anunciou que Bolsonaro editou decreto que cria um vice-consulado do Brasil em Cusco e converte em vice-consulado o consulado do Brasil em Iquitos, ambos no Peru.

Segundo a secretaria, a medida tem o objetivo principal de “atender aos brasileiros na cidade de Cusco, local que recebe muitas demandas de turistas que visitam a região”.

A conversão do consulado de Iquitos em vice-consulado permitirá, de acordo com a secretaria, “manter o atendimento consular na região de fronteira amazônica e o suporte às ações de cooperação, com redução de custos, sem prejuízo da qualidade dos serviços”.

Os vice-consulados ficarão subordinados à Embaixada do Brasil em Lima. A instalação das novas repartições consulares ocorrerá após a anuência do governo peruano.

Presidente do Peru

 

Pedro Castillo, de 51 anos, nasceu na pequena cidade andina de Puña, na província de Chota, e foi uma surpresa no primeiro turno das eleições presidenciais no Peru, realizadas no ano passado.

O presidente ficou conhecido no cenário peruano em 2017, após liderar uma greve de professores de quase três meses exigindo aumento de salários. Na campanha, prometeu aumento para professores da rede pública.

Castillo chegou a prometer no início da campanha desativar o Tribunal Constitucional e dizia que a Suprema Corte do país defendia a “grande corrupção”. Ele também ameaçou fechar o Congresso se os parlamentares não aceitarem seus planos.

Na disputa presidencial, porém, Castillo mudou de tom e prometeu seguir a Constituição “enquanto ela estiver em vigor”, mas disse que buscaria uma nova Assembleia Constituinte caso seja eleito.

Em relação aos costumes, Castillo adota atitude conservadora: ele se recusa a legalizar o aborto, é contra o “enfoque de gênero” na educação e tem relutado em reconhecer os direitos de minorias sexuais. Depois das eleições, declarou que não é comunista — em resposta a uma das alegações de opositores.

O ministro das Relações Exteriores, Carlos França, não participará do encontro entre Bolsonaro e Castillo.

França está em viagem oficial à Espanha, onde terá encontros com o ministro de Assuntos Exteriores, União Europeia e Cooperação, José Manuel Albares; com a presidente da Câmara de Comércio Brasil-Espanha e ex-Chanceler espanhola, Trinidad Jiménez; e com o secretário-geral eleito da Secretaria-Geral Ibero-Americana, Andrés Allamand.